terça-feira, 11 de novembro de 2008

DESEJOS...



MEUS DESEJOS

Quero ser tua ilha, tua paisagem deserta e florida, tua montanha a ser escalada, os sussurros do mar... E, olha, quando o mar estiver bravio, escuta-o atentamente Por que serei eu, clamando por tua presença... Sim, quero a solidão a dois, sem interferências externas Pensamentos e emoções conjuntas É isso que quero de ti... Quero ser a realização desse desejo estranho Que arde e queima a pele e a mente Mas, estranhamente, faz feliz por arder de amor... Que me faz tão feliz por arder nessa chama Se tenho isso, nada me falta Tua emoção me basta, pois ela é minha... E se penso em fugir Minha direção é só uma, teus braços e abraços... Minha fuga imaginária vai até teus braços e só ali me encontro... Saudades eu sinto sim Do que não vivi, do que não vou viver Saudade de nunca poder Saudades de ser de você... Isso é saudade de mim...
(Madalena Ribeiro)

VEM COMIGO...



CONTIGO

Quero enlaçar minhas mãos nas tuas
Sentir teus dedos apertando fortemente os meus...
Quero andar pela praia, sentir a areia nos pés e o vento no rosto
Mas com minhas mãos coladas nas tuas...
Quero olhar nos teus olhos e que estes
Mesmo sérios, me sorriam com ternura e ardor...
Preciso de tua mão na minha, preciso de segurança
Não desenlace os teus dedos dos meus
Me sinto insegura e temo nunca mais conseguir entrelaçar
Apenas fica comigo e segura minha mão
Não fala nada, nosso silêncio já faz eco na rua vazia
Dá-me só tua mão e me sentirei segura
Estou carente? Mas preciso de pouco
Dá-me apenas tua mão na minha
O teu olhar sério e sorridente
Tua boca muda que me fala tudo que preciso ouvir
Na solitude desse meu caminhar trôpego em vida
Não faz nada, só me leva a caminhar...
Qual rumo? Sei lá... apenas caminha comigo
E me segura as mãos e me olha sem falar
Mas que teu silêncio fale tudo que eu quero ouvir...
Preciso do calor de tuas mãos e do teu olhar...
Talvez cheguemos ao infinito
Por que não, se tenho tuas mãos nas minhas
E teu sério e sereno olhar a me seguir e guiar?
E o silêncio me basta, palavras seriam demasia...
(Madalena Ribeiro)

AMOR, AMAR...



SE NÃO FOR AMOR...
A força que tem o olhar Estarrecedor e dominante... Jamais olhei teus olhos, mas eles Me dominam o imaginário... Todos os dias tuas palavras me chegam E falam de amor Um amor que não conheço, que não vejo, que não toco A palavra tem força e poder A imaginação a engrandece Jamais diga que ama sem amar Amor é palavra forte, o sentimento mais ainda Sinta-me primeiro, olhe nos meus olhos E veja se sou seu amor É tão fácil dizer EU TE AMO Difícil é tornar isso em realidade Trazer para o campo da verdade real Sim, por que não se ama um mito Sob pena de se decepcionar... O amor ama um ser mesmo cheio de mazelas Com qualidades e defeitos por que isso é AMAR... Estou amando?
(Madalena Ribeiro)

VOANDO...



COM VOCÊ

Me pega pela mão, me levanta do chão
Eu preciso voar
Me pega pela mão, me leva bem alto
E tira de mi essa sensação de vazio...
Enlaça-me suavemente pelos flancos
E me leva a passear...
Mas elevemos-nos o bastante até que me falte o ar
Me abrace, se enrosque em mim
E me leva nesse vôo...
Preciso subir mais alto, ficar a sós com você
Não tenho medo, você sabe meus segredos
Tudo de mim...
Nada é mistério pra você, nem pra mim você é
Apenas me enlace e me aqueça
Faz com que eu me esqueça de mim nesse abraço
Esqueça do que vivi, do que passou, são lembranças
Agora quero viver com você a aventura única
De querer de novo e mais uma vez..
Me leva nesse vôo com você...
(Madalena Ribeiro)

SUA AUSÊNCIA...



AUSÊNCIA
Preciso de você e busco seu sorriso Em lábios estranhos que passam por mim Ouço seu suspiro leve e suave em bocas estranhas Não é você, não são seus suspiros... Sua presença é viva em mim, mas onde está? Sob a luz pálida da lua caminho pelas calçadas Calçadas nuas e frias, escuro em mim... Nada encontro, não me encontro, não mais você Sorrisos passam por mim em lábios estranhos Não os enxergo e não me vêem eles também Mas eu busco você nas madrugadas frias Perambulo pelas ruas como dementada Busco sua voz, nada encontro, só sons estranhos Caminho longamente, sigo adiante Mas após retorno cabisbaixa Na minha busca nada é você Nunca é você, nenhum sorriso do meu encontro Nada mais é você... Mas onde está se não aqui, mas faz eco em mim?
(Madalena Ribeiro)

PRISIONEIRA DE MIM...




PRISIONEIRO
No silencio da noite algo me machuca a mente Há um grito preso no peito, uma dor surda Ininteligível, inacessível, um sussurro que faz eco E machuca minha solitude noturna... Procuro, debalde, encontrar a razão Nada encontro e me ponho a cismar... De repente, num súbito de lucidez Um estalo na mente e uma saudade de mim... Me vem uma saudade da criatura que fui E que sei já não ser E me indago onde me perdi... Nos embriagantes soluços do teu amar? Nos sussurros de amor que ouvi e falei, tantos?... Onde ou quando me apartei de meu EU? E na madruga fria e insone vem a descoberta O grito que ecoa dentro de mim sou EU Ou o que fui um dia e me perdi de mim... Reprimi, aprisionei, violentei, quando não vivi Todos os sonhos que sonhei... Renunciei por amor, amei, por certo e por demais Mas agora e só agora Reconheço que por esse amor Aprisionei, enjaulei meu EU e esqueci de mim... Na embriagues dos laços teus... doces laços que Me aprisionaram e eu renunciei a tudo que sonhei... Ah, descoberta estranha e aterradora Me perdi de mim quando assumi minha insensata E estranha necessidade de liberdade... Sim, por que ser livre tem um preço Alto preço que se paga com a solidão A solidão dos diferentes, anormais, irracionais... Paguei e ainda pago o preço dessa libertação Dos laços que desfiz (desfiz?) a duras penas... Sou livre, enfim, mas por que meu EU continua Aprisionado dentro de mim? Ah, solidão... O grito surdo é meu... Que me perdi de mim por amor...
(Madalena Ribeiro)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

LEMBRANÇAS...



LEMBRO-TE


Lembro-te bem
Lembro-te sempre...
Apareces em minhas noites
Noites vazias de você...
E no vazio dessas horas
Preencho o nada com as lembranças
Lembranças sutis
Toques suaves, leves
Gostos, sabores, aromas...
Ah, simbiose que se eterniza...
Nesses momentos
Não sei se chego a definir como amor
Amor é palavra e sentido forte...
Mas te defino assim
Lembro-te bem
Lembro-te bem assim...
Não quero lembrar
As lembranças teimam e vêm
Teimam em voltar
Pra
meu desgosto
Lembro-te bem...
Mas nem queria lembrar...
(Madalena Ribeiro)